Monday, July 10, 2006

PARA ESTUDANTES DE ÁRABE...







NOVA TRANSLITERAÇÃO

DA ESCRITA ÁRABE (1)

Evandro da Nóbrega,

escritor, jornalista, editor técnico & literário

[evandrusdanobrega@gmail.com]

O alfabeto árabe utiliza várias letras para as quais não existe correspondência exata nos alfabetos ocidentais baseados na escrita latina.

Vejamos isto na prática, observando de início (e mui atentamente) cada uma de suas 28 letras, nas formas ISOLADAS:

TRANSLITERAÇÃO USUAL DO ALFABETO ÁRABE

01

02

03

04

05

06

07

ālif

bā

tā

thā

jīm

khā

KHā

08

09

10

11

12

13

14

dāl

dhāl

rā

zāyn

sīn

shīn

sād

15

16

17

18

19

20

21

dād

tā

thā

āyn

ghāyn

fā

qāf

22

23

24

25

26

27

28

kāf

lām

mīm

nūn

hā

wāw

yā

Thursday, July 06, 2006

PARA ESTUDANTES DE HEBRAICO...




________________________________________

QUAIS OS LIVROS DA BÍBLIA JUDAICA?


Evandro da Nóbrega [Druzz],

escritor, jornalista, editor técnico & literário


Quem não é judeu praticante, mas estuda o hebraico como língua de Cultura, pode se sentir às vezes confuso com as disparidades de conteúdo entre a “Bíblia” judaica (basicamente o Velho Testamento, mas com algumas diferenças essenciais) e a Bíblia cristã, como católicos, protestantes, ortodoxos e outras confissões do Cristianismo vêem essas escrituras.

Pensando em facilitar a vida dessas pessoas foi que montamos um quadro com todos os livros constituintes da TaNaKh, isto é, a “Bíblia” — ou melhor, o Velho Testamento (em se tratando de judeus, esqueçam, please, o Novo Testamento).

Em nossa tabela, citamos os títulos de tais livros sagrados dos judeus tanto em hebraico (inclusive no alfabeto original com sua transliteração e/ou pronúncia), assim como sua designação usual em latim e português, via Vulgata ou não. Quaisquer sugestões, reparos ou observações outras devem ser a nós endereçadas pelo e-mail evandrusdanobrega@gmail.com.

Para os poucos que não sabem, o termo TaNaKh é formado pelas primeiras sílabas de Torah, Nevi’im e Khetuvim, as três partes em que se divide a “Bíblia” ou Velho Testamento dos hebreus. Não trataremos aqui dos livros considerados apócrifos pelos próprios judeus, nem citaremos um só livro do Novo Testamento, já que não pertencem à tradição religiosa do Judaísmo.

E esperamos que o quadro a seguir (que nos custou muito trabalho!) seja de utilidade para algum leitor. Vamos, pois, às resumidas considerações em torno do tema:

TANAKH [=תנ״ך = o acrônimo TaNaKh ou TaNaCh, com a mesma pronúncia de tánnarr], a Bíblia judaica, isto é, o Velho Testamento, divide-se em três partes:

1 – TORAH

[hebraico: תורה = a Lei, o Ensinamento, a Prescrição, a Instrução, a Teoria; em hebraico, a Torah também se chama חומש = Khumash = “os Cinco”, isto é, os cinco livros atribuídos a Moisés; em latim: Pentateuch = “cinco livros”], pois contém os cinco primeiros livros da Bíblia:

a) Gênesis

[hebraico: בראשית = Bereshit = “No princípio”; latim: Genesis]

b) Êxodo

[hebraico: שמות = Shemot = Nomes; latim: Exodus]

c) Levítico

[hebraico: ויקרא = Wayiqrah = “E Ele chamou”; latim: Leviticus, por se referir à classe sacerdotal dos judeus]

d) Números

[hebraico: במדבר = Bemidbar = “Na desolação”, “Na terra bravia”, “No ermo”; latim: Numeri]

e) Deuteronômio

[hebraico: דברים = Devarim = Palavras; latim: Deuteronomium = do grego “segunda lei”, pelo latim eclesiástico Deuteronomion, para designar “o quinto livro do Pentateuco”, “o quinto livro de Moisés”, “cópia”, “repetição”, “segunda lei”]

2 – NEVI’IM

[hebraico: נביאים = Nevi’im = Profetas; latim Prophetae], com duas subdivisões:

a) profetas anteriores:

[hebraico: ראשונים נביאים = Nevi’im Rishoynim; latim: Prophetae Posteriores]

- Josué

[hebraico: יהושע = Yehoshuah; latim: Jehosuah]

- Juízes

[hebraico: שופטים = Shofethim; latim: Judicum]

- Samuel I

[hebraico: שמואל א = Shmuel Alef; latim: I Samuelis)

- Samuel II

[hebraico: שמואל ב = Shmuel Beth; latim: II Samuelis]

- Reis I

[hebraico: מלכים א = Malkim Alef; latim: I Regum]

- Reis II

[hebraico: מלכים ב = Melkim Beth; latim: II Regum]

b) profetas posteriores:

[hebraico: אחרונים נביאים = Nevi’im Akhroynim; latim: Prophetae Posteriores]

- Isaías

[hebraico: ישעה = Yshayah; latim: Jesaia]

- Jeremias

[hebraico: ירמיה = Yrmyiah; latim: Jeremia]

- Ezequiel

[hebraico: יחזקאל = Yhzekyel; latim: Ezechiel]

- Oséias

[hebraico: הושע = Hoseah; latim: Hosea]

- Joel

[hebraico: יואל = Yoel; latim: Joel]

- Amós

[hebraico: עמוס = Amos; latim: Amos]

- Abdias

[hebraico: עבדיה = Obadyah; latim: Obadia]

- Jonas

[hebraico: יונה = Yonah; latim: Jona]

- Miquéias

[hebraico: מיכה = Mikhah; latim: Micha]

- Naum

[hebraico: נחום = Nahum; latim: Nahum]

- Habacuc (Habacuque)

[hebraico: חבקוק = Habakkuk; latim: Habakkuk)

- Sofonias

[hebraico: צפניה = Tsephaniah; latim: Zephaniah]

- Ageu

[hebraico: חגי = Haggay; latim: Haggai]

- Zacarias

[hebraico: זכריה = Zekariah; latim Zacharia]

- Malaquias

[hebraico:מלאכי = Malachi (Malaki, Malakhi); latim: Malachia)

3 - Ketuvim

[hebraico כתובים = Ketuvim = Escritos ou Hagiografia], subdivididos em 13 livros:

a) Salmos

[hebraico: תהלים = Tehilim = “cantos para rezar” (palavra feminina com um plural masculino!) ; latim: Psalmi, do grego psalmos, psalmoi]

b) Provérbios

[hebraico: משלי = Míshlê Shelomoh = “Provérbios de Salomão”, embora eles, mesmo integrando o ciclo da “Sabedoria salomônica”, não sejam todos propriamente de Salomão ; latim: Proverbia]

c)

[hebraico: איוב = Yiob; latim: Job]

d) Cântico dos Cânticos

[hebraico: השירים שיר = Shir ha-Shirim = Canto dos Cantos, Cântico dos Cânticos, Canção das Canções (superlativo semítico: “o maior de todos os cânticos”); também conhecido como “o Cântico de Salomão”; no latim da Vulgata: Canticum Canticorum); na terceira divisão do TaNaKh, o Velho Testamento hebreu (vale dizer, no Ketuvim), o Cântico dos Cânticos constitui um dos Cinco Megillot, isto é, Rolos (o singular de megillot é megillah = rolo), sendo os seguintes os quatro outros rolos sagrados a] o Livro de Ruth, b] as Lamentações de Jeremias, c] o Eclesiastes (não confundir com o Eclesiástico), e d] o Livro de Ester.

e) Rute (O Livro de Ruth)

[hebraico: רות; latim: Ruth)

f) Lamentações

[hebraico: איכה = ‘Ekhah = “Como” (a palavra inicial do livro); ou מגילת איכה = Megillah ‘Ekhah = “o Rolo do Como”; também conhecido como “o Livro das Lamentações” ou “As Lamentações de Jeremias”); no latim da Vulgata: Threni, do grego threnoi, tradução do hebraico qinoth = lamentações]

g) Eclesiastes

[hebraico: קהלת = Qóhelet = o Pregador]; latim: Ecclesiastes (não confundir com outro livro bíblico, o Eclesiástico).

h) Ester

[hebraico: אסתר = Esther; latim: Esther].

i) Daniel

[hebraico: דניאל = Daniyel; latim: Daniel (israelita que se transformou em conselheiro do rei babilônico Nabucodonosor/Nebukhandnezzar, entre 605 e 562 antes da era cristã)].

j) Esdras

[hebraico: עזרא = ‘Ezra; também no latim da Vulgata: Ezra)

k) Neemias

[hebraico: נחמיה = Nekhemiya; latim: Nehemia]

l) Crônicas I

[hebraico: א הימים דברי = Divry Hayyamim Alef = História dos Dias I; latim: I Chronica = Crônicas I (do latim da Vulgata Chronicon; na Septuaginta, tradução das escrituras israelitas em grego, estes dois livros são chamados de Paraleipomêna = “Coisas omitidas” ou “Suplementos” ou, ainda, Paralipômenos, porque contêm detalhes não existentes nos Livros dos Reis e nos Livros de Samuel, acima citados e integrantes da primeira parte do TaNaKh]

m) Crônicas II

[hebraico: ב הימים דברי = Divry Hayyamim Beth; latim: II Chronica; para detalhes, ver o item imediatamente anterior].

Evandro da Nóbrega [Druzz]

evandrusdanobrega@gmail.com

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Thursday, May 11, 2006

ТЫСЯЧАЧЕТЫРЕХСОТВОСЬМИДЕСЯТИВОСЬМИМИЛЛИМЕТРОВЫЙ...



EM BUSCA

DA PALAVRA

MAIS LONGA...

EM VÁRIAS LÍNGUAS!



Este artigo é dedicado à minha professorinha de árabe Lara Izis, libanesa de 23 anos, assim como à bissexta professora de russo e grande intelectual Milu Duarte e à sua também superinteligente árabo-eslavófila pupila Tábata Lima, de apenas 16 anos — sendo estas duas últimas habitantes das alterosas Minas Gerais...


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
Neste escrito há realmente palavras tão longas que elas chegam a exceder a largura da área de leitura do blogger... Sugere-se portanto que, antes de Você iniciar a leitura, SELECIONE TODO O TEXTO, ou com CTRL+A ou com o próprio mouse.

;-)))



De acordo com o Guiness’ Book of the Records, a maior palavra existente na língua russa é

* рентгеноэлектрокардиографический, com 32 letras.

Significa algo como “roengteneletrocardiográfico”.


Mas há também termos médicos com quase este número de letras, a exemplo de


* ФИСТУЛОХОЛЕЦИСТОХОЛАНГИОГРАФИЯ,

com 30 letras, uma espécie de angiografia envolvendo determinado tipo de fístula, e


* ЭНЦЕФАЛОМИЕЛОПОЛИРАДИКУЛОНЕВРИТ,

com 31 consoantes e vogais, termo referente a um tipo de nefrite observável em pólipos do encéfalo... (argh!)

Existe ainda uma substância designada por um termo de 33 letras:

* ПОЛИДЕЗОКСИРИБОНУКЛЕОТИДСИНТЕТАЗА,

que Vocês terão que quebrar a cabeça para saber o que é (tenho isto num dos dois volumes de meu dicionário de termos técnicos russo-inglês-português, mas estou sem tempo para procurar...);

e outra substância com 34 letras:

* НИКОТИНАМИДАДЕНИНДИНУКЛЕОТИДФОСФАТ,

que, lida da direita para a esquerda, como deve ser na hora de interpretar este portento, fala no mínimo em fosfato, nucleotídeo e nicotinamida.

À vista disto, é de se pensar imediatamente na palavra científica portuguesa/brasileira/internacional

* dimetilaminofenildimetilpirazolona...

Os gozadores (que, ao contrário de todos nós, não têm muito o que fazer...) conseguiram até formar em russo uma palavra igualmente longa para significar justamente “a fobia de ler e falar palavras longas:

* гипомонстрэскуипедалофобия...

Algumas outras palavras têm sido sugeridas (claro que todas não dicionarizadas ou flagrantemente inventadas), a exemplo de:

* суперкалифраджилистикекспиалидоушус

* гипомонстрэскуипедалофобия

* некрозоопедоорнитотаксидермист(с) = tentando desesperadamente traduzir: "um taxidermista dedicado aos pássaros que de alguma forma parecem necrosados"???!!! (he he he...)

* автомотовелофотобричкатракторнийзавод

e, em maiúscula, a fim de que pareça ainda maior do que realmente é,

* пиздомудонихуясебезаебисьсцуконахпроебина...

Para se referir à distância ou largura ou amplitude de 1.488 metros, Você pode muito bem usar uma palavra de 47 letras:

* тысячачетырехсотвосьмидесятивосьмимиллиметровый

Repito em caixa-alta, isto é, em maiúsculas, esta assustadora palavra, a fim de que pareça ainda maior, para escarmento de todos os eslavófilos on line:

* ТЫСЯЧАЧЕТЫРЕХСОТВОСЬМИДЕСЯТИВОСЬМИМИЛЛИМЕТРОВЫЙ...

Bem, minha cabeça já anda à roda, com termos tão quilometricamente longos, de modo que decido encerrar tal investigação por aqui mesmo, deixando prazerosamente este abac..., oops, digo, deixando esta importante pesquisa a cargo da professora Milu Duarte e de sua pupila Tábata Lima!

Boa sorte, Milu.

Boa sorte, Tábata!

;-)))


Talvez seja mais fácil pesquisar palavras mais longas noutras línguas — por exemplo, naquelas que usam o alfabeto latino, não o cirílico. Em português, temos palavras como:

*antiinconstitucionalissimamente,

para não repetir nossa preferida,

*dimetilaminofenildimetilpirazolona.


Em inglês, muitos acham que a palavra mais longa seria

* supercalifragilisticexpialidocious,

que está lá, sim, no Oxford English Dictionary.

O mesmo dicionário alega que seria fictício ou apenas inventado o termo


* pneumonoultramicroscopicsilicovolcanoconiosis,


que descreveria "uma doença pulmonar caracterizada pela inalação da poeira de sílica oriunda dos vulcões" e usada mais para servir de exemplo de palavra longa do que para descrever essa aparentemente raríssima doença...


Vê-se, por outro lado, numa das edições do Guiness' Book of the Records, que, numa necessariamente longa placa de uma estação de trem de uma cidadezinha do País de Gales (e mostra-se até a foto) está escrito o nome do lugarejo, que é, au grand complet,


*Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch.


Fala-se, mas nunca vi escrito, do nome de um composto químico cujo sesquipedálico nome teria nada menos que 1 mil 913 letras...

Em Finnegan's Wake, Joyce compôs palavras ainda mais compridas que as por ele usadas noutra obra sua, Ulysses.

Ainda no âmbito do inglês, vêem-se no Oxford English Dictionary palavras realmente longas, como

* antidisestablishmentarianism

(algo como “oposição à desestabilização do establishment da Igreja da Inglaterra");

* floccinaucinihilipilification;

* honorificabilitudinitatibus

(palavra usada por Shakespeare em Trabalhos de amor perdidos, e que já chegou a ser citada como forte “evidência” de que a verdadeira identidade do poeta-dramaturgo de Romeu e Julieta seria Chico Toicim — isto é, o venerável Francis Bacon...

Mas os gozadores anglo-americanos levam esta discussão para o campo do non sense, afirmando que a palavra mais longa da língua inglesa seria mesmo smiles, já que tem “uma milha de distância” entre o s inicial e o s final...


NO ALEMÃO MODERNO & NO GREGO CLÁSSICO

Não vamos nos ocupar, por enquanto, da língua alemã, que dispõe de termos naturalmente sesquipedálicos, dada a característica deste idioma de simplesmente juntar palavras para formar outras novas.

Da mesma forma não nos ocuparemos aqui da palavra mais longa já escrita na Terra: o nome de uma comida grega citada numa peça não me lembro se de Aristófanes. Depois trataremos dela. Mas que é longa, não tenham nem dúvida! É um termo grego multicomposto com quase cem sílabas! Vocês não perdem por esperar...

POESIA "CRONQUÉTA"

Por falar em longuíssimas palavras, não quero despedir-me dos queridos leitores sem lhes apresentar a produção ehr, como direi, literária — ou mesmo, ehr, “poética” —, que fui praticamente forçado a compor após ver tantos termos de sílabas intermináveis, em russo, em inglês e em vernáculo.

Apresento-lhes, pois, a composição de minha lavra intitulada:

POEMA ULTRACIENTÍFICO & PÓS-AUGUSTO-ANGÉLICO

[Da Série "Eu Tomém Sei Fazer Poemas Mais-ou-Menos-Cronquetos"]

por Evandrirmãos da Nobrecampos [DruzzKonkret],

vulgo Evandécio da Nobrepignatari

Pois é, querida.

Agora sou um

pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico.

Foi o que descobriu

sem querer

meu oftalmotorrinolaringologista.

É que peguei

pneumoconiose

ao aspirar

as cinzas vulcânicas

de meu coração

transformado em lava

ao te ver,

ali bem ao lado,

do também eruptivo

Vesúvio.

Deviam proibir,

mesmo anticonstitucionalissimamente,

que te debruçasses

assim perigosamente

— e de minissaia —

à beira de um vulcão,

fazendo-me tomar

apressadamente

todo o estoque

de dimetilaminofenildimetilpirazolona

que trazia ao bolso.

E agora que sou

nada mais que um

pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico,

só me enforcando

num pé de tomate

— ou de mindubim —

ou tomando logo uma lata

daquele corante

(acho que mortal)

à base de

tetrabromometacresolsulfonoftaleína.

Ah, os tempos do pneumotórax,

quando ainda se podia

com Mané Bandeira

tocar apenas

um tango argentino...

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Saturday, March 04, 2006

PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Néia, ao encerrar mais um turno de trabalho no Kokota's,
e já trocada, isto é, sem a farda do expediente diário,
numa foto de cerca de três meses atrás


EDNÉIA ERA UMA HOMENAGEM A TODAS AS MULHERES


Evandro da Nóbrega [Druzz],
escritor, jornalista, editor técnico & literário
[evandrus.anovercensis@gmail.com]

O artigo abaixo foi especialmente escrito para a publicação Empresarial Marcas & Marketing, a pedido dos editores Soliandra e Pedro Oliveira Alves


Ano passado, neste mesmo Dia Internacional da Mulher, o velho Druzz de guerra escreveu para Vocês, a pedido dos editores Pedro e Soliandra Oliveira, uma homenagem mais geral: um protesto de veneração e respeito às mulheres do Mundo. Permitam-me que, agora, homenageie uma mulher específica. Mas sem que este preito deixe de ser dirigido às meninas, às moças, às mulheres, às mães, às avós... enfim, a todas essas feminis guerreiras que não apenas nos trouxeram ao Mundo, como também nos agüentam ao longo da vida e, o mais das vezes, merecidamente nos sobrevivem.

Tendo em mira a generalidade das mulheres, regule-se porém o foco de modo que à frente do leitor reste apenas uma mulher.

Ei-la: seu nome é Ednéia.

Não importa o sobrenome: todos só a tratavam carinhosamente por Néia.

E Néia aqui representa todas as mulheres: a mulher patoense, a mulher paraibana, a mulher nordestina, a mulher brasileira, a mulher latino-americana, a mulher universal, a mulher histórica, a mulher essencial, a mulher imortal. Como o é minha primeira mulher, Bernadete Mariz; como o é a segunda mulher, Verônica Lúcia do Rego Luna; como o é minha filha Manuela Mariz-Nóbrega; como o é minha mãe, Dona Luzia Dantas da Nóbrega (uma menina de 81 anos de idade); como o são minhas incontáveis amigas do Orkut, do Gazzag, do Blogger, do MSN Spaces e de tantos outros loci cyberespacii; como o são a leitora, a sua digna mãe, sua preclara tia, sua estimada vizinha, sua querida irmã, sua excelsa filha, sua adorada netinha, sua inigualável bisneta...

A HOMENAGEM É PÓSTUMA

Por que render esta homenagem às mulheres em geral e a Ednéia em particular? Faço-a por haver chegado à conclusão de que, se eu não fizer, ninguém mais a fará. E digo logo: Néia infelizmente não pertence mais ao Mundo dos vivos. Faz poucas semanas que, apesar de não ter chegado nem aos 26 anos, foi-se embora para o andar de cima, aqui deixando muita admiração e saudades, amizades e queixumes, contrição e aquele sentimento de impotência diante da foice curva e fatal da Indesejada das Gentes.

De condição pobre, Néia já trabalhara em São Paulo, fugindo de uma das mais feias palavras tipicamente nordestinas: a necessidade. Ainda menina, intuiu ser dura a vida e que era preciso batalhar pelo cotidiano pão. Já adolescente, não agüentou a violência sudéstica e retornou à PB, sigla de Pequenina & Brava, adjetivos que também a definiam. Após prestar serviços em lanchonetes pessoenses, viu-se logo "descoberta" pelo olho clínico do pessoal do Kokota's, um dos melhores estabelecimentos dedicados a atender quem tem fome e sede de vitualhas e beberagens.

“MEU” ESCRITÓRIO NOTURNO

Como classificar o Kokota's? Restaurante? Bar? Lanchonete? Um pedaço da cozinha do Paraíso Terrestre à beira-mar plantado, na Avenida João Maurício, diante do Atlântico? Chamo-lhe "meu eventual escritório noturno"... escritório superiluminado, com ótimos tira-gostos, vinho honesto, scotch digno de Jacinto Medeiros, Odilon Fernandes, Dada Novaes, Paulo Santos Coelho, Petra Ramalho Souto, José Mário Macedo, Emmanuel Rocha Carvalho e outros eméritos freqüentadores da bella tasca.

Um "escritório noturno" onde Você, a salvo do insuportável “som” dos crebocis dos decibéis, pode ler o jornal ou um livro inteiro, chupitando seu vinhozim, sem ser incomodado por seu ninguém. Mas não me incomoda, por exemplo, aquele simpático engraxate amigo que assistiu ao filme "A paixão de Cristo" e que por fina força vive a me pedir "gramáticas de aramaico e latim". Encasquetou que tem que aprender respectivamente "a língua falada por Cristo” e o outro idioma, “o usado pelos soldados romanos"... Além da parte interna com seu próprio ar-condicionado real, o Kokota's dispõe, em seu salão externo, daquilo que batizei de "ar condicionado central": a suave brisa que vem do mar fronteiro!...

Pois vos digo no Kokota's é que Néia foi trabalhar como garçonete. Garçonete, vírgula, dirão logo Onildo e Marinette Fernandes Paes de Carvalho Rocha, os felizes proprietários da atlântica casa de pasto. Garçonete que logo ganhou a confiança e simpatia de todos os habitués e de todas as habituées, para não falar, claro, dos donos e colegas de ofício. Você ainda ia saindo do carro e ela já estava com o ménu em mãos, toda sorridente, em posição de ballet, como se fosse dali a pouco saltar num pas-de-deux, puxando a cadeira procê se sentar à mais aprazível das mesas em disponibilidade.

ESCONDENDO A FEMINILIDADE

Néia amarrava e escondia bem os cabelos, usava um boné-pra-trás, verde, e envergava a farda do Kokota's de modo sui generis, escondendo deliberadamente as saliências e reentrâncias de seu talhe feminino. Mas nem assim deixava de ser feminil, com permanente sorriso espontâneo, leveza, graça, simpatia, rapidez no atendimento...

Seus olhos brilhantes, atentos, investigativos descobriam nos fregueses qualquer desejo etílico-gastronômico ainda nem mesmo glandular ou mentalmente formulado. Nessa pisada, e com pouco tempo, ganhou a amizade e admiração dos colegas e das colegas de trabalho. E tanto os ganhou que passou a namorada, primeiro; depois a noiva; e, finalmente, a esposa de um dos garçons de lá mesmo, o engraçadíssimo Cláudio. A todos Néia dava o exemplo: garçom trombudo ou garçonete trombuda são espanta-clientes e, no mínimo, fazem qualquer comida provocar desarranjos estomacais.

ENCANTANDO MARIA PAULA

Seu boné-pra-trás e uma larga faixa artisticamente largada na testa também larga lhe davam ar de oriental. Quem a visse talvez pensasse tratar-se duma praticante de artes marciais tipo caratê, judô, jiu-jitsu. Não era nada disto, non: a moça apenas descendia, e com muito orgulho, de nossos ancestrais indígenas nordestinos, disto havendo a prova adicional do cabelo liso, pretíssimo, característico.

Essas naturais bondade e prestatividade, simpatia e candidez d’alma encantaram desde o início os filhos de Marinette e Onildo: o campeão de surfe Vinicius (e sua mulher Danielle); Onildo Filho (e sua mulher Ana); e Lara. Para não falar das netas Camilla (com o namorado Pablo e recém-aprovada para Direito), Maria Paula (esta guria é energia pura e fogo-na-roupa!) e Ana Luísa, ainda pequenina. Néia caiu nas graças, ainda, de assíduos freqüentadores & freqüentadoras, quais a simpaticíssima Lóla e as quase incontáveis irmãs de Marinette.

ESTUDOS & SONHOS

Aí Néia botou na cabeça ser eu uma espécie de intelectual com quem podia conversar os mais inimagináveis assuntos sub solem. Vez por outra, em noites de menor movimento no Kokota's, achegava-se reverentemente da mesa e, mantendo aquela educada distância física e social de quem sofreu nas universidades da vida, fazia perguntas, conversava, queria saber de tudo, aprender, descobrir o que seria melhor para si, para os seus, para os outros... Ria muito e, forçoso é dizê-lo, exercia o democratíssimo direito de contar e ouvir piadas, no humorismo apropriado àquele kokotesco saloon, para gáudio do aparentemente circunspeto garçom Mak, redução do sob todas as formas imenso nome Maquemburgo...

Para compensar "os insuficientes anos de escola que tive", a jovem Néia estudava muito, lia muitíssimo, usava as poucas horas de folga da melhor forma possível: dedicando-se, entre outros estudos, às matérias de algo como o Telecurso Segundo Grau, como o podem comprovar o também kokotístico gerente Edinaldo e a esposa Cleonice. Seu sonho: “passar no Vestibular”. Queria se formar, ser enfermeira ou professora de crianças, confidências que fazia, entre outros, ao casal Silvana (também garçonete) e Naldo (pizzaiolo e entregador da casa).

EDNÉIA TRANSVESTINDO-SE

Néia fazia uma festa com qualquer livro que lhe déssemos. Ao fazer seus planos de uma futuro melhor, não pensava só em si, óbvio. Forçoso era ajudar no sustento da mãe e do filho, resultante do primeiro casamento, quando ainda adolescia.

De madrugada, terminado o serviço, Néia, tendo que voltar para casa, em Santa Rita, trocava a kokótica farda por suas roupas normais: o traje comum das moças faceiras. Era costume seu trazer, de cada vez, uma vestimenta diferente e de bom-gosto. Queria deixar claro que apenas momentaneamente, e por exigência do trabalho, é que escondera dos olhos do marido, sob uma roupa "batida" e aplastante, seus naturais encantos feminis. Concluído o turno, porém, já podia envergar novamente a "roupa comum". E lá se ia embora, toda pimpona e algo dançante, com o também juvenilíssimo marido Cláudio. Atesto: de cada vez, era mesmo um "tailleur" diverso, se assim posso chamar àqueles vestidos, alguns dos quais ela mesma criava, por economia.

CAFÉ COM BOLACHAS

Mas há sempre um porém. Um dia, para espanto geral, caiu doente. Fortíssima hemorragia. Internação. Os médicos viram: câncer do útero. Operada às pressas, escapou. Após uns meses de descanso, voltou a seu expediente no Kokota's. Mas nem ela, nem ninguém, nem mesmo os médicos sabiam: o insidioso mal já lhe passara aos rins... Novamente o hospital, todos preocupados. E, desta vez, não haveria retorno. Como disse, nem completara 26...

Aos amigos, ficou o consolo: partiu sem agonia. No leito da UTI, pediu à mãe café quente com cream-crackers, lanche que adorava. A enfermeira ainda molhou a bolacha no café, mas Néia disse sorrindo: “Não, assim não. Não é educado fazer isto. Cheira a coisa sebosa. Melhor trincar o biscoito cream-cracker no dente e sorver o café”. Disse-o e, quando o estava fazendo na prática, ainda sorrindo, deu o último suspiro. O café derramou-se no lençol, os pedaços de bolacha espalharam-se em sua bata hospitalar.

Era um anjo de bondade que, sem uma só queixa, morria tão prematuramente e de forma tão triste, nos braços da mãe e da enfermeira que já começara também a adorá-la. Pelo bem que procurou espalhar em vida, a humilde, esperançosa, terna e quase obscura Ednéia não merecia ser, nesta data, um dos símbolos da mulher local, nacional, mundial?


Friday, March 03, 2006

DE RUI LEITÃO, UMA BOA INFORMAÇÃO

Meu amigo Rui Leitão (foto acima) me chamou a atenção para a notícia abaixo e faço questão de (re)divulgá-la aqui, por se tratar de encontro dos mais importantes para a vida política e institucional do Estado

Encontro de Marketing na capital divulga e debate tendências da política em 2006


VER TODOS OS DETALHES NO URL
www.empol.net/area.php?p=materias&id=2



A divulgação e o debate das novas tendências da política brasileira, bem como as estratégias de campanha e legislação farão parte do Primeiro Encontro de Marketing Político (Empol). Para tanto, o evento contará com as presenças do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Velloso, e da senadora Heloísa Helena, que ministrarão palestras ligadas ao tema. O Empol, promovido pela Estratégia Consultoria de Marketing e Publicidade, será realizado nos dias 23, 24 e 25 de março de 2006, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural, em João Pessoa. Segundo a comissão do evento, paralelamente será realizada a Expol que trará exposições de serviços técnicos para a prática política e eleitoral, mais apresentações com artistas locais.

Em todo o país, no ano de 2006, os cidadãos poderão exercer mais uma vez o direito de votar, escolhendo os representantes das administrações públicas. Pensando nisso, com o objetivo de divulgar e debater as novas tendências da política brasileira e também as estratégias de campanha e legislação, o Empol pretende expor e esclarecer dúvidas de diversos segmentos da sociedade - políticos, assessorias políticas e de imprensa, estudantes de publicidade e marketing, veículos de comunicação, produtoras, agências de publicidade, gráficas, e interessados – como forma de exercer a democracia.

Pretendendo expor os serviços técnicos, para a prática política e eleitoral (palanque eletrônico, brindes, camisetas etc.), assim como mostrar ao público o talento dos artistas locais, a Estratégia Consultoria criou, paralelamente ao encontro, a Exposição Política (Expol). O objetivo é possibilitar ao candidato o acesso às diversas formas de apoio e divulgação da sua campanha eleitoral, gerando espaço de unidade de negócios aos expositores. Esses serviços estarão sendo expostos em estandes no hall do Teatro, por diversas empresas ligadas a essa prática.

Programação – Programação do Empol – o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE-DF), fará a abertura oficial do evento que acontecerá, às 20 horas, no dia 23 de março (quinta-feira) de 2006. Já a senadora Heloísa Helena (PSOL/AL) fala sobre "Ética na Política", palestra que encerra o evento, dia 25 (sábado). Outros temas serão desenvolvidos durante todo o evento, como “Legislação Eleitoral” que será proferida pelo ministro do TSE-DF, Carlos Eduardo Caputo Bastos; “Prestação de Contas de Campanha”, com Leonice Vera Severo Fernandes (chefe da Unidade das Contas Eleitorais Partidárias do TSE-DF); “Discurso e Postura Política”, com Carlos Conce, diretor do Instituto de Oratória-AL, que recebe o seu nome; “Marketing Político em Tempos de Crise”, com Gaudêncio Torquato, jornalista e Consultor de Marketing Político - SP; “Pesquisa Eleitoral”, ministrada por João Francisco Meira – diretor do Vox Populli-BH, e o jornalista da TV Senado-DF, Beto Almeida, com a palestra “Palanque Eletrônico”.

Inscrições – As inscrições já estão sendo feitas pelo telefone (83) 3243-0183, pelo site www.empol.net, e no Iesp (Larissa Araújo do 5º período de Publicidade e Propaganda e Heloísa Ribeiro do curso de Turismo).
Para quem quiser adquirir a inscrição (inteira) até o dia 15/02/06, poderá participar de uma promoção com valor estipulado em R$ 200,00 à vista, ou parceladamente em 2x de R$ 125. Até o dia 05/03/06, essa quantia terá uma pequena alteração, ficando por R$ 250 (à vista) ou 2x de R$ 140. Após essa data o valor à vista fica em R$ 300 ou à prazo em 2x de R$ 175. No que diz respeito às inscrições para estudantes, a coordenação do Empol criou uma promoção até o dia 15/02/06, no valor R$100 (à vista) ou em 2x de R$ 85. Após o dia 05/03/06 a quantia chega a R$ 180 à vista ou após essa data no valor de R$ 200 à vista, e em 2x R$ 125.