Saturday, September 04, 2010

COMO FOI A REUNIÃO DOS POETAS POPULARES EM JOÃO PESSOA (2)

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Reunião Plenária da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, no sábado, 21 de agosto, trouxe a João Pessoa grande número de poetas populares de todo o Brasil. O que o leitor vai encontrar nesta série de textos não se pretende a melhor cobertura do encontro — mas deverá ser a cobertura mais extensiva... Além do mais, vai-se ela ampliando pelo envio de novos materiais da lavra dos participantes... 


Evandro da Nóbrega,
Escritor, Jornalista, Editor
[druzz.tjpb@gmail.com]
[druzz@reitoria.ufpb.br]


FOTOS de Michelle Cristina Oliveira

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MODERNIZAÇÃO DO CORDEL: 

O VERSO DE FEIRA NÃO TEM QUE SER OBRIGATORIAMENTE DO JEITO QUE SEMPRE FOI...


Em diferentes pronunciamentos, tanto o notável cordelista Manoel Monteiro, radicado em Campina Grande, quanto o presidente da ABLC, poeta Gonçalo Ferreira, defenderam a modernização da Literatura de Cordel. 
Gonçalo mostrou capas moderníssimas para a apresentação de um veículo de idéias não propriamente novo, a Literatura cordelística. A apresentação gráfica de alguns cordéis modernos, no entanto, chama a atenção por sua modernidade, praticidade, beleza. Isto não impede, em absoluto, que o cordel continue... tendo suas origens na Europa Medieval! Nem se trata de nenhum desrespeito ao Cordel! É preciso apenas aperfeiçoar o modo de enxergar o Cordel.
O grande cordelista nordestino Manoel Monteiro defende a modernização do Cordel, evidentemente, sem que ele perca suas características tipicamente nordestinas, brasileiras. Alguns exemplos:
— sem deixar de utilizar o trabalho dos artistas e artesãos, a xilogravura pode receber a impressão mais moderna possível, dentro das últimas técnicas gráfico-editoriais (como o comprovavam vários livros à venda, durante o encontro, com suas capas belíssimas e a preço acessível);
— a grafia das palavras pode evoluir para a ortografia moderna, sem a necessidade de apelar para coisas como frô (em lugar de flor), pudê (poder), lugá (lugar), vêis (vez) etc;
Os próprios temas da Literatura de Cordel tendem a naturalmente se modernizar — não sendo proibido, claro, falar de temática antiga, mas com a ótica posta noutras temáticas, mais atuais.
A propósito, acaba-nos de chegar, diretamente de Campina Grande, o texto completo do discurso de Manoel Monteiro durante a Reunião Plenária da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, em João Pessoa. 
O texto monteiriano intitula-se justamente “Poeta não discursa, canta!” 
E esse seu texto será não apenas publicado na íntegra, mas igualmente comentado, quando se concluir a montagem de todos os itens que ainda faltam para dar por encerrada a presente cobertura da Plenária da ABLC em João Pessoa.

OBRAS EXPOSTAS
No hall do Cine Banguê, estavam expostas várias obras de alguns dos poetas populares presentes, destacando-se, entre muitas outras:
— de Gonçalo Ferreira da Silva: “Vertentes e evolução da Literatura de Cordel”, obra importante, já em terceira edição; a coleção completa intutulada “Ciências em versos de cordel”, com ilustrações de J. Victtor (álbuns coloridos com muitas informações sobre os mais diversos campos científicos, inclusive um volume intitulado “Naturalismo - Charles Darwin - A evolução do Homem”;
— de Chico Salles: “O bicho pega” (CD), com 13 faixas; “Cordelinho” (livro de literatura infantil premiado pela Academia Brasileira de Letras, com Prefácio de José Nêumanne Pinto); álbum “Cem anos sem Machado”, também ilustrado por Ciro Fernandes; a coleção “Cordéis”, contendo os folhetos “O pai do vento”, “O maior inimigo do cachorro”, “A passagem de Bin Laden pelo Chabocão”, “Jeguerino e Burro Zé”, “As Minas de Minas”, “Matuto Apaixonado”, “O homem da bola de ouro”, “A Justiça tarda e falha”; 

— de Manuel Monteiro: “Paraíba: Grandes Nomes”; “Sivuca, o Deus Louro da Sanfona”; “Nova História da Paraíba Recontada em Cordel”, “Unicampo: Daqui não Saio, Daqui Ninguém me Tira”; “Cartilha do Diabético”; “O Cariri Ocidental: O Raiar de um Novo Dia”; “Chapeuzinho Vermelho: Versão Versejada”; “Inscrições Rupestres do Lajedo Pai Mateus”; “Flor de Mandacaru - Um Cordel da Unicampo”; “O Rio São Francisco: Água Para Quem Tem Sede”; “Oração Sertaneja: A Esperança Não Morre”; “O Vingador da Honra ou o Filho Justiceiro” (terceira edição, tendo na capa, ainda, xilogravura de A. Lucena); “O Sorriso do Cavalo ou o Explorador de Animais”; “Quem Ama Não Suja: Mantenha João Pessoa Limpa” (para o Curso de Turismo da UFPB);
   
— de José Walter Pires: “A Justiça sem burocracia” (ganhador do Prêmio Innovare de 2010), “A História da OAB em cordel” etc etc etc;

— de Beto Brito: “Bazófias - O maior cordel do Mundo - Capítulo I” (com “trocentas mil” páginas...);

— de Crispiniano Neto: “O grande Joaquim Nabuco e a obra da escravidão” (álbum ilustrado por Kazane); 

— de Antônio Araújo (Campinense, Poeta do Campo): “Tudo é Poesia I”, “Tudo é Poesia II”, “Tudo é Poesia III”, “Os Imortais da Música”;

— de Josealdo Rodrigues Leite: “Os mais violentos dias do Piancó” (sobre a passagem da Coluna Prestes pelo Alto Sertão paraibano e com Prefácio de José Nêumanne Pinto).

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O escritor, jornalista e editor Evandro da Nóbrega, ao lado da estudante de Comunicação Social da UFPB Sayonara Michelly Matias Rodrigues e de seu colega Carlos Eduardo Vieira do Carmo (Cadu), que, no momento, realizavam pesquisa sobre o poeta popular Beto Brito.


[Clique nas fotos para ampliá-las, com suas respectivas legendas]
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SAYONARA E CADU
Estavam ainda presentes à Plenária dois jovens universitários da UFPB:

1) a estudante do quinto semestre de Jornalismo e Comunicação Social Sayonara Michelly Matias Rodrigues, de 19 anos, mais conhecida profissionalmente como Sayonara Rodrigues, e que ali se encontrava com um fim específico: complementar as informações de que já dispõe sobre o poeta popular Beto Brito (um dos que se empossaram na ABLC) para a produção de um trabalho acadêmico sobre ele, na disciplina de Laboratório de Radio Jornalismo, do professor Carmélio Reynaldo; e

2) seu colega, o também estudante de Jornalismo da UFPB, Carlos Eduardo Vieira do Carmo (Cadu), de 27 anos, que, juntamente com Sayonara, participa do citado trabalho sobre Beto Brito; mas Cadu também é professor de Teoria da Poesia no EAD da UFPB.

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Friday, September 03, 2010

COMO FOI A REUNIÃO DOS POETAS POPULARES EM JOÃO PESSOA (1)

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[Clique na foto para ampliá-la — inclusive com sua legenda!]

Não importa se a desoras! 
O fato é que o José Nêumanne Pinto compôs [a posteriori] sua magnífica oração receptiva da Medalha "Rogaciano Leite" — e agora nos envia, sem maior destempo ou delonga, “o discurso feito depois de não ter sido lido” 

Não tem que entender nada, previamente! É só meter a cara e ler! 

Reunião Plenária da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, no sábado, 21 de agosto, trouxe a João Pessoa grande número de poetas populares de todo o Brasil. O que o leitor vai encontrar nesta série de textos não se pretende a melhor cobertura do encontro — mas deverá ser a cobertura mais extensiva... Além do mais, vai-se ela ampliando pelo envio de novos materiais da lavra dos participantes...



Evandro da Nóbrega,
Escritor, Jornalista, Editor
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FOTOS de Michelle Cristina Oliveira


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Quando recebeu a Medalha “Rogaciano Leite”, José Nêumanne Pinto bem que ensaiou dizer umas palavras — e as disse, de fato, embora num ambiente em que a alacridade, por um lado e, por outro, o cansaço da maioria dos presentes, já não permitiam grandes interações do pensamento, só as do sentimento... Voltando para o hotel, em João Pessoa, e inspirando-se na bela visão de sua deusa Magda, não deu outra: ele escreveu... “o Discurso Feito Depois de Não Ter Sido Lido”, que vai aqui transcrito tintim por tintim, para gáudio de quem participou dessa Plenária da ABLC:

“O adiantado da hora e o cansaço da plateia me impediram de fazer um discurso mais ou menos assim (pois seria de improviso), ao receber a Medalha Rogaciano Leite, da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sábado, 21 de agosto de 2010, no Cine Banguê, do Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, Paraíba:

Céus, o que estaria fazendo aqui este operário da palavra que nunca escreveu um folheto de cordel na vida? 
Era o que eu matutava ali à mesa do lado do Conselheiro Luiz Nunes Alves, meu confrade na Academia Paraibana de Letras, o poeta popular Severino Sertanejo, mais enfronhado em poesia de bancada que Patek Philippe em algibeira.
O presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), e vai ser presidente assim no raio que o parta, Gonçalo Ferreira da Silva, poderia ser meu primo, pois, afinal, é cearense e também do Ceará desembarcou na Baixa Verde, na Serra de Luís Gomes, meu avô materno, Francisco Ferreira da Silva, em cuja casa paraibana nasci, depois que ele cruzou os limites do Rio Grande do Norte para se instalar nas terras herdadas do sogro, o coronel Alexandre Moreira Pinto, no Rio do Peixe. 
Pode, então, até ser nepotismo, não é mesmo? Pois é. 
Mas um primo nosso comum, mais antigo, este das bandas de Serra Talhada, em Pernambuco, ali pertinho da Pedra do Reino de mestre Ariano Suassuna, chamado Virgolino, além de Ferreira da Silva, cometia lá seus versinhos. Consta que é da autoria de Lampião a canção de ninar Mulher Rendeira, que ganhou o mundo e rendeu uns trocados ao malandro cajazeirense Alfredo Ricardo do Nascimento, o Zé do Norte, com quem andei tomando chopes e lapadas no Bar Brasil, por incrível que pareça um restaurante alemão na Lapa, no Rio, na companhia de Zé Ramalho e Ciro Fernandes, o Ciro de Uiraúna.
Ciro é de Uiraúna, como diz o nome de paz do sobrinho do grande lutiê e artesão Chico de Maroca, assim como Chico Salles é de Sousa, 36 quilômetros a leste. Os dois, juntos, produziram o melhor livro de literatura infantil que já vi, Cordelinho, lançado pela editora carioca Rovelle. A relação que tenho com o livro é ter escrito a apresentação da segunda edição, pois perdi o prazo na primeira e, quando vi a beleza que o volume ficou, tratei de aceitar logo a parceria. 
Se não foi nepotismo de Gonçalo Ferreira, só pode ter sido proteção do parceiro de meu conterrâneo Ciro, a meu ver, o melhor xilogravador do Brasil. É claro, dirá o paciente leitor a quem este autor não poupa o tempo que poupou aos imortais da ABLC, que só me deram dois minutos e meio para agradecer a outorga da Medalha “Rogaciano Leite”, que muito me honra e não sei nem se mereço.
Então, é isso, só pode ser isso. Chico Salles, artista múltiplo, que me flagrou certa vez dançando no Carioca da Gema, na Lapa de Zé do Norte, Ciro e Zé Ramalho, justo na noite de forró que comemorava o aniversário de meu amigo e rei Luiz Lua Gonzaga do Nascimento, pode ter tentado enrolar seus pares com alguma conversa mole sobre folhetos que não escrevi. 
Isso até me lembra um episódio engraçado. Certa vez, a colônia armênia em São Paulo convidou-me, não sei por que cargas d’água, para ser o orador da solenidade em que anualmente homenageia a memória de seus mortos massacrados pelos turcos. Ao ser recebido na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo por seu presidente, Walter Feldman, ouvi dele a afirmação inusitada de que eu não era apenas um jornalista respeitado e um poeta de escol, mas principalmente um grande contista. Contou à plateia que ganhou das mãos de Mário Covas em pessoa meu livro de contos, que até aquela data estava em sua cabeceira. Como diria o velho Chico Ferreira, no Rio do Peixe, que não tem água e, portanto, não tem peixe, co’s diacho! Esse menino, eu nunca escrevi um conto na vida, nem pra remédio. Será que Mário Covas também havia dado de presente um folheto de cordel que nunca escrevi pro meu amigo sertanejo Chico Salles? Vai ver, deu!
Chico vai dizer que eu prestei grandes serviços ao cordel como propagador da arte, porque andei escrevendo umas bobagens em jornal e falando umas tolices em rádio e TV sobre a nobre arte de relatar a realidade em versos impressos em folhetos vendidos em feiras livres no sertão. 
Manoel Monteiro, de quem invejo o tom metálico de sua voz marcante, meu colega diabético, lhes contará que apresentei alguns de seus folhetos ao público do Sudeste, que se interessa tanto pelo valor dessa modalidade de poesia popular que a maior editora do gênero, a Luzeiro, fica no Brás, enclave nordestino em São Paulo de Piratininga. 
Aderaldo Luciano, de pseudônimo Luiz Cangaceiro, passou a dirigir uma editora próspera, como prosperam os poetas de viola que vivem na Pauliceia Dilacerada do poeta de Cajobi Mário Chamie, sob a batuta do líder Sebastião Marinho. Testemunho maior disso dará aqui nosso presidente mais presidente que existe, que sediou a Academia que preside nas proximidades do Campo de São Cristóvão, que cheguei a frequentar diariamente, mas não por causa da feira nordestina, que é semanal, e sim pelo queijo da Serra da Estrela, de Portugal, que me deliciava o paladar no velho Adegão Português, de Guerra Junqueiro e paz.
Gonçalo Ferreira da Silva, primo meu e de Lampião, conforme atestam os sobrenomes, sabe disso. E, como ele, sabe Ciro, meu conterrâneo e parceiro de Chico Salles. Ciro foi pintor de boi em parede de açougue e arte-finalista em agência de publicidade. Nasceu no seio do povo do sertão ermo, mas aprendeu a técnica da xilogravura de capa de folheto de cordel com mestre José Altino, das quebradas de Cabo Branco, pátria dos alísios do Atlântico. Largou tudo – arte final de anúncios e ilustração em jornais - para vender suas xilogravuras na feira de suas raízes, ali nas proximidades da Quinta da Boa Vista, onde a Corte se regalava.
Na verdade, se algum serviço este profissional da palavra escrita e falada prestou à poesia popular sertaneja, foi ouvir embasbacado um desafio em que Otacílio Batista se bateu com Diniz Vitorino, em meu apartamento na Consolação paulistana. A função lembrou noites de viola enluarada na calçada alta da casa onde nasci nas brenhas da bacia do Rio Piranhas, à qual pertence o Rio do Peixe, que também não tem piranhas.
Naquele tempo, tudo o que eu sabia de cordel havia lido na coleção da Casa Ruy Barbosa, preparada com esmero pelo poeta Sebastião Nunes Batista, cuja biografia foi traçada com exatidão e eficiência pelo colega João Dantas, que adentrou a ABLC sem ter de sair do sítio junino que criou e faz funcionar no Parque do Povo no Maior São João do Mundo, em Campina Grande, lá no alto do Planalto da Borborema. Bem-vindo à Academia, cabra véi!
Pode ser também que a concessão desta medalha tenha que ver com a lembrança de que só mesmo uma cavalar falta de talento impede este agraciado de escrever a boa poesia de bancada. Bem que a leitura de Leandro Gomes de Barros na coleção de volumes pesadões e cujas páginas tinham de ser abertas a espátula para serem devoradas pela traça que lhes fala, da Casa Ruy Barbosa, poderia ter animado um pouco do escasso talento e da verve deste homenageado. 
Que nada! De nada valeram as lições de Átila Almeida e José Alves Sobrinho com sua pesquisa de prelo em prelo no interior para produzirem o monumental Dicionário Bio-Bibliográfico da Poesia de Bancada, editado em Campina Grande. As visitas a Átila serviam de exemplo para quem quisesse saber de onde se originava a verve do dono da maior biblioteca de cordel do País, herdada do pai, o historiador Horácio Almeida, de Brejo de Areia. O jardim da casa no Bairro da Prata, pertinho do Colégio Estadual, onde estudei, era povoado por serpentes venenosas que o ciumento mestre fazia questão de proteger com placas avisando que o transeunte incauto jamais deveria cometer a indelicadeza de machucá-las, perturbá-las ou mordê-las.
Nossa prosa sempre abordava a herança em folhetos de poesia do dono da casa e o trabalho de decifrar a Itacoatiara do Ingá, com suas inscrições rupestres, empreendido por sua mulher, a antropóloga Ruth. Falávamos do trabalho pioneiro do general Humberto Peregrino, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Eita, saudade da peste!
Ah, também não posso esquecer o melhor exemplo de que Manoel Monteiro estava certo em seu discurso brilhante, quando pregou a necessidade de modernizar o cordel. Falo do trabalho profícuo dos irmãos Viana – Klévisson e Arievaldo. Tive a honra de apresentar a obra de Klévisson na coleção de folhetos reproduzida em livros pela editora paulistana Hedra, por iniciativa do belga Joseph Luyten, com a ajuda de outra acadêmica europeia, Silvie Debs. Nem deixarei de citar o reconhecimento da Europa ao trabalho de Francisca Neuma Fechine Borges. Minha professora de Português no Estadual da Prata, foi uma especialista renomada e reconhecida academicamente no mundo inteiro pela competente dedicação com que adotou a literatura de cordel na Universidade Federal da Paraíba.
Minha presença aqui, no Cine Banguê, pois, só pode ser justificada pelo convívio com esse povo todo. Convivi, por exemplo, com o patrono da medalha, Rogaciano Leite. Não o conheci pessoalmente, mas devo a um de seus melhores amigos, meu também quase conterrâneo Eurícledes Formiga, conhecido em São João do Rio do Peixe, ou Antenor Navarro, ou o que seja, município do qual Uiraúna era distrito quando nasci, em 1951, como Euriclides, paroxítono assim. Este o citava e dizia de cor sua obra inteira. 
Formiga era um memorialista formidável, capaz de repetir textos imensos que acabara de ouvir e, depois, dizê-los ao contrário, além de recitar incontinenti a palavra numerada que o interlocutor lhe solicitasse. Foi ele quem me levou a Cláudio Abramo e à Folha de S.Paulo, em 1970, dando-me, ao mesmo tempo, emprego e profissão. Foi também ele que gerou o vereador Quito, autor do projeto, aprovado por unanimidade, que me concede o que já sou de fato e agora serei de direito: cidadão paulistano.
Este convívio se estende aos homenageados desta tarde, cada qual com seu cada qual. Quando Zé Ramalho estourou no Sudeste com seu primeiro LP, a CBS encarregou-o de produzir um selo com artistas novos. Ele pôs a rodar no aparelho de som de minha casa, em São Paulo, o disco de estreia de um pernambucano adotado pela Paraíba com versos gongóricos e voz de tenor. Era Oliveira de Panelas. Mostrei a Zé a semelhança daquele disco com outro que acabava de sair, contendo todas as canções gravadas na curta vida de Robert Johnson, o rei do blues do Mississipi. E o encontro inspirou o autor de Chão de giz, obra-prima da Música Popular Brasileira. Não tenho ideia de por que me chamaram, mas certo é que fiz parte do júri que deu a Oliveira de Panelas o título de “maior repentista do Universo” no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Jessiê Quirino também entrou em meu convívio, não na Itabaiana de Sivuca e dos irmãos Walter e Wladimir Carvalho, onde ele mora hoje, mas, sim, no calçadão de Campina Grande, onde ele veio a lume. Certo dia, Rolando Boldrin estava tomando um cafezinho esperto no Shopping Center Villa Lobos, em São Paulo, quando um fã se aproximou e mandou que ele ouvisse um CD pirata, que lhe dava. Boldrin ouviu no carro e ficou alucinado, mas não havia referência alguma que pudesse levá-lo ao autor. Telefonou-me na esperança de que eu pudesse corresponder à fama de conhecer repentistas nordestinos. Falou-me de Vou-me embora pro passado e, imediatamente, lhe dei os telefones do autor, que, logo depois, estava no ar no Sr. Brasil, da TV Cultura de São Paulo.
A medalha que está no meu peito também está no do sertanejo de Patos Evandro da Nóbrega, Vandinho das Espinharas, de quem me aproximei por obra e graça de Flávio Ribeiro Coutinho Neto, que nasceu a 500 quilômetros e dois dias depois de mim, em 20 de maio de 1951. Um dia, o mesmo patoense Van Dinh me telefonou para delatar um malandro pernambucano que se fazia passar por filósofo e curandeiro, o “Omar Khayam dos pobres”, o “Conde Alexandre dos Desvalidos”, que fez um tremendo sucesso em dois programas de Jô Soares...
E também está no peito de Moraes Moreira, baiano de boa cepa e irmão mais novo de José Walter Pires, hoje entronizado na imortalidade da poesia de feira livre. Na verdade, só estou conhecendo Moraes aqui e agora, dividindo esta mesa no palco do Cine Bangüê. Mas dia destes, por obra e graça de Solaninho Ribeiro, vi-o jovem e lampeiro no documentário que o mago dos festivais da MPB produziu para a TV alemã. A multidão que lotou o cinema do Museu da Imagem e do Som em São Paulo ficou, como eu, embasbacada com a qualidade daqueles novos baianos, cada dia mais jovens. E o sucesso que Moraes faz e merece mostra que qualidade só tem idade nas três sílabas finais.
Para encerrar este discurso que não foi feito e só foi escrito depois da solenidade, recorro aos versos de Manuel Bandeira que citei de cor nos dois minutos e meio que foram permitidos à minha palavra. Manoel Monteiro, xará daquele que considero o maior poeta de seu tempo em qualquer língua, citou vários exemplos de grandes poetas eruditos, como Castro Alves e Augusto dos Anjos, meu patrono na cadeira n° 1 da Academia Paraibana de Letras, que fizeram versos à semelhança do cordel.
Após participar como jurado de um desafio de repentistas realizado no Rio de Janeiro, onde morava, o grande poeta pernambucano escreveu e definiu:

“Saí dali convencido
Que não sou poeta não;
Que poeta é quem inventa
Em boa improvisação
Como faz Dimas Batista
E Otacílio seu irmão;
Como faz qualquer violeiro,
Bom cantador do Sertão,
A todos os quais humilde
Mando minha saudação.”

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COMO FOI A REUNIÃO DOS POETAS POPULARES EM JOÃO PESSOA (0)

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Reunião Plenária da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, no sábado, 21 de agosto, trouxe a João Pessoa grande número de poetas populares de todo o Brasil. O que o leitor vai encontrar nesta série de textos não se pretende a melhor cobertura do encontro — deverá ser, no entanto, a cobertura mais extensiva... Além do mais, vai-se ela ampliando pelo envio de novos materiais da lavra dos participantes... 


Evandro da Nóbrega,
Escritor, Jornalista, Editor
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Fotos de Michelle Cristina de Oliveira, para o NUDOC da UFPB

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APENAS ALGUNS POETAS DE CORDEL 
[E UNS ESTUDIOSOS DE MAIOR DESTAQUE, NO GÊNERO]


Este primeiro texto — de abertura geral — serve para dar ao leitor uma idéia da grandiosidade dos números com que lidamos no universo da Literatura de Cordel. De A a Z, são citados, aqui, apenas alguns dos nomes de poetas cordelizantes e de estudiosos de alguma forma ligados a esse universo. É impossível citar todos! Já se concentrou num Dicionário de Poetas de Bancada, como o de Átila de Almeida? Pois é, ocupa dois grossos volumes, com milhares de páginas... Observe que, poetas ou não, trata-se de nomes cuja ação e influência se exercem desde fins do século XIX, ao passo que outros floresceram sobretudo no decorrer do século XX — e, finalmente, uns poucos, já no século XXI. E é este apenas seu Caderno Inicial de Estudos! Vá ampliando a biografia de cada um dos citados, o valor de sua contribuição, a importância de seu papel...

Vamos à lista, coligida de fontes várias e extrações as mais diversas:


1.            A. de Mendonça [Cordel]
2.            Abraão Batista [Cordelistas contemporâneos – XXI]
3.            Aderaldo Ferreira Araújo (Cego Aderaldo, do Ceará)
4.            Alexandra Feliciana.
5.            Alfredo Pessoa de Lima (Iracema).
6.            Altimar de Alencar Pimentel, autor de grande número de obras Históricas e Folclóricas sobre as mais variegadas facetas da Cultura paraibana. Autor, ainda, do trabalho “Francisco das Chagas Batista e a tradição poética do Teixeira”, in Estudos em literatura popular [UFPE, 2004, 663 páginas].
7.            Américo Pellegrini Filho [A Literatura de Cordel continua viva]
8.            Antenor Caiado (estudioso, autor de Dila, um gênio da xilogravura)
9.            Antônio Américo de Medeiros [Cordelistas contemporâneos – VII]
10.       Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré), nascido em 1909 no sítio Serra de Santana, a 3 léguas da cidade de Assaré (CE)
11.       Antônio Klévisson Viana [Cordelistas contemporâneos – III]
12.       Antônio Marinho
13.       Antônio Olavo [Poesia canudense]
14.       Apolônio Alves dos Santos, de Guarabira (PB)
15.       Arievaldo Viana Lima, de Quixeramobim (CE), autor de 140 anos de nascimento de Leandro Gomes de Barros e presente em Cordelistas contemporâneos – I, além do Romance de Luzia Homem; também colaborou com obras em torno de Capas de folhetos famosos e é autor, entre muitas outras obras, de São Francisco de Canindé no Cordel.
16.       Átila Augusto Freitas de Almeida, filho do grande historiador paraibano Horácio de Almeida e autor de obras preciosas para o estudo do Cordel e dos poetas de bancada; com o falecimento de Átila, sua imensa biblioteca, em grande parte já herdada do pai, ficou sob a guarda da viúva de Átila, a Dra. Ruth Almeida, e de sua filha, a Dra. Beatriz Almeida.
17.       Bruna B. S. Santana [Interdisciplinaridade em sala de aula]
18.       Cacá Lopes
19.       Candace Slater, professora de Literatura Brasileira na Universidade de Berkeley, Califórnia, e autora de vários livros de interesse, dentre os quais A vida no barbante, sobre o Cordel brasileiro. Slater é também autora de um livro, Trail of Miracles, versando os milagres atribuídos ao Padre Cícero Romão Batista, do Juazeiro, CE.
20.       Carneiro Portela
21.       Charles Bicago [Entre suas obras, J. Borges: O "monstro do sertão”]
22.       Chico Caldas
23.       Chico Salles (Chico Salles de Araújo), nascido em Sousa (PB), hoje atuando no Sudeste brasileiro, especialmente no eixo Rio de Janeiro-São Paulo; atual Diretor Cultural da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
24.       Chico Viola.
25.       Cícero Vieira da Silva.
26.       Conceição Gomes.
27.       Constatino Cartaxo.
28.       Coronel Neco Martins.
29.       Délio Rocha [Cordel pedagógico].
30.       Dimas Batista Patriota.
31.       Elias A. de Carvalho, pernambucano de Timbaúba.
32.       Expedito Sebastião da Silva, nascido em Juazeiro do Norte (CE); resumo biográfico em Grandes cordelistas do passado – V.
33.       Feitosa Nunes
34.       Firmino Teixeira do Amaral, mais brilhante poeta popular do Piauí; autor de A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho; resumo biográfico em Grandes cordelistas do passado – VI.
35.       Francisco das Chagas Batista (1882-1930), paraibano, dono da Livraria Popular Editora. Sua tradição poético-estética firmou-se na região da Serra do Teixeira. Chagas nasceu na antiga Vila do Teixeira  (PB) e faleceu na capital do Estado da Paraíba 26 de janeiro de 1930. Em 1900, vendia água e lenha, para manter seus estudos em Campina Grande; em 1902, já saía seu primeiro folheto, Saudades do sertão; em 1905, vendeu folhetos em Recife (PE); em Olinda, passou algum tempo no seminário; depois, trabalhou na estrada de ferro de Alagoa Grande; em 1907, pioneiramente, versejou o romance Quo vadis?, de Sienkiewicz; em 1909, residiu em Guarabira, onde trabalhou com o irmão, o editor de cordel Pedro Batista, e onde também se casou com a prima Hugolina Nunes [ou Ugolina Nunes]; com a prima, Chagas teve 11 filhos, dentre os quais os poetas populares Paulo, Pedro, Maria das Neves e o folclorista Sebastião Nunes Batista, que produziu importantes obras de referência no campo cordelístico; em 1911, negociava com livros na capital da Paraíba; foi em 1913 que fundou a Livraria Popular Editora, por intermédio da qual editava paródias, modinhas, novelas, contos, poesia; logo, firmou-se como intelectual; em 1929, publicou o livro Cantadores e poetas populares, “imprescindível para a pesquisa em Literatura Popular em verso, por conter as mais antigas e confiáveis informações sobre esta forma poética”; Chagas foi dos primeiros editores de cordel e imprimiu produções de muitos poetas populares da época (à exceção de João Martins de Ataíde).
36.       Francisco Sales Arêda, paraibano de Campina Grande (1916-2006); resumo biográfico em Cordelistas contemporâneos – IV.
37.       Franklin Maxado.
38.       Gonçalo Ferreira da Silva, atual presidente da ABLC; poeta, contista, ensaista, ensaísta e divulgador cultural; nasceu em Ipu, Ceará, a 20 de dezembro de 1937; autor fecundo e de produção densa, principalmente no campo de Literatura de Cordel, “área que mais cultiva e que mais ama”; poeta intuitivo, de técnica refinada, chega a ser primoroso em muitas de suas estrofes; é, porém, a abrangência dos temas que aborda que o situa entre os principais autores nacionais, tendo produzido diversos títulos com a temática de ciência e política. Quando participa de congressos e festivais é comum vê-lo contando histórias em versos rimados e de improviso; reside há muitos anos no Rio de Janeiro, sempre atuante e produtivo; uma de sua mais recentes obras é Senhor dos Anéis; resumo biográfico no volume V de Cordelistas contemporâneos.
39.       Gonzaga Vieira [Cordelistas contemporâneos – VI].
40.       Guaipuan Vieira [Patativa, o verso imortal].
41.       Gustavo Dourado [Cordel para Pixinguinha].
42.       Inácio da Catingueira, um dos gênios pioneiros, na Serra do Teixeira.
43.       Janduhi Dantas Nóbrega [A mulher que vendeu o marido por R$ 1,99 e Gramática no Cordel].
44.       Jessier Quirino, da geração mais novo do Cordel, já é autor de grande número de obras, divulgadas inclusive por intermédio de álbuns, CDs, DVDs, vídeo etc.
45.       João Cesário Barbosa.
46.       João Evangeslista Rodrigues [Nossa Senhora das Águas]
47.       João Ferreira de Lima, de São José do Egito (PE); resumo biográfico em Grandes cordelistas do passado – VII.
48.       João Firmino Cabral.
49.       João Gomes Sobrinho [Xéxéu].
50.       João José da Silva.
51.       João Martins de Athayde, nascido em Cachoeira da Cebola, município de Ingá (PB); Autor, dentre muitas outras obras, de Romeu e Julieta; resumo biográfico em Grandes cordelistas do passado – II.
52.       João Melchíades Ferreira (1869-1913), nascido em Bananeiras (PB); biografia em Cordelistas contemporâneos – XIV.
53.       Joaquim Batista de Sena, nascido em Fazenda Velha, então Termo de Bananeiras (PB), mas hoje integrante do Município de Solânea (também PB); biografia em Grandes cordelistas do passado – III.
54.       Joaquim Rodrigues da Mota Filho, autor de Cordel completo, editora Comep, 1985.
55.       José Alves Sobrinho, com seu Glossário da Poesia Popular, primeira edição em 1982, pela Editel.
56.       José Bernardo da Silva, grande editor de Juazeiro do Norte (CE)
57.       José Camelo de Melo Resende (1885-1964), nascido em Pilõesinhos (PB), autor de Pavão misterioso, além de Côco Verde e Melancia; biografia em Grandes cordelistas do passado – IV.
58.       José Costa Leite, nascido em Sapé (PB); biografia em Cordelistas contemporâneos – XIII.
59.       José Francisco Borges.
60.       José Honório da Silva [A volta de Virgulino para consertar o Sertão]
61.       José João dos Santos (Mestre Azulão), com biografia em Cordelistas contemporâneos – II; nascido em Sapé (PB) no ano de 1932 e ainda hoje atuante no Rio de Janeiro (RJ). Entre muitas outras obras, é autor de A cabocla encalhada.
62.       José Luís [Zé Pequeno]
63.       José Pacheco da Rocha, autor do célebre cordel A chegada de Lampião no Inferno, além de A festa dos cachorros; biografia em Grandes cordelistas do passado – VIII. Pacheco, para uns, teria nascido em Porto Calvo (AL) e, para outros, em Correntes (PE)
64.       José Rodrigues de Oliveira [O Cordel na propaganda e O Cordel na pedagogia].
65.       Joseph M. Luyten, autor de O que é literatura de cordel, pela editora Brasiliense, em 1983.
66.       Jotabarros (As receitas do Dr. Prodocopéia)
67.       Kalhil Gibran Melo de Lucena et alii [O Museu em Cordel]
68.       Leandro Gomes de Barros (1865-1918), pioneiro na publicação de folhetos rimados, nasceu em Pombal (PB) e é considerado o Poeta-Mor da Literatura de Cordel; autor de grande número de obras, inclusive a apreciada O soldado jogador; biografia em Grandes Cordelistas do passado – I.
69.       Lourival Batista Patriota, o “Louro do Pajeú” (1915-1992), nascido em São José do Egito (PE); genro do autor Antônio Marinho (conhecido como “a Guia do Sertão”) e um dos grandes parceiros cantadores do grande improvisador paraibano Pinto do Monteiro;
70.       Luís Carlos Rolim de Castro [Cordelistas contemporâneos – XVIII]
71.       Luiz Carlos Lemos [Patativa do Assaré - A voz que (ainda) canta o Sertão]
72.       Luiz Pereira da Costa [Os discípulos do Juiz Nicolau]
73.       Luzimar Medeiros Braga, economista, romancista e poeta, nascido em Nazarezinho (PB), onde cursou as primeiras letras; escreveu várias obras de economia política, poesia e romance; seu mais recente livro, O cordel do Manifesto Comunista, foi lançado pela Editora Alfa-Ômega, em meados de 2006; já compôs mais de 50 títulos em cordel, a maior parte versando educação política e abordando temas como Bertold Brecht, Manoel Lisboa, Guevara, Anita Garibaldi, José Martí, Simon Bolívar, Saramago, Casaldáliga, Castro Alves, Patativa do Assaré, Zumbi dos Palmares, Canudos, Caldeirão, Contestado, Monteiro Lobato, Santos Dumont, Dom Hélder Câmara, Margarida Maria Alves, entre outros; tem vários trabalhos dirigidos aos pequenos produtores, dentre os quais se citam O cordel da apicultura, A importância da casa de farinha; etc.
74.       Manoel Camilo dos Santos, famoso autor de Viagem a São Saruê; biografia em Grandes cordelistas do passado – IX; nascido em Guarabira (PB) em 1905, ocupante da Cadeira 25 da ABLC (cujo Patrono é Inácio da Catingueira) e hoje residente em Campina Grande (PB), como autor de mais de 80 folhetos de cordel, inclusive O sabido sem estudo.
75.       Manuel Diegues Júnior, autor de Literatura de cordel (primeira edição saída pela Funarte em 1975).
76.       Manoel d'Almeida Filho, nascido em João Pessoa (PB) e autor de Os cabras de Lampeão.
77.       Manoel Monteiro da Silva ou, simplesmente, Manoel Monteiro, um dos grandes cordelistas ainda plenamente em atividade; sua biografia pode ser lida em Cordelistas contemporâneos – VIII; é autor de uma apreciada A vida do Padre Cícero; nascido em Bezerros (PE), em 1937, mas radicado em Campina Grande (PB) há muitas décadas, sendo geralmente considerado “o mais importante cordelista brasileiro em atividade, com uma produção densa e diversificada, abarcando toda a área da atividade humana”, como assinala a ABLC, complementando: “Seguro no ofício de escrever versos rimados e metrificados, suas narrativas são envolventes e prendem o leitor do princípio ao fim, além da influência verbal, própria dos grandes mestres; em razão da qualidade de sua produção, a Literatura de Cordel está sendo indicada para a grade escolar de várias cidades brasileiras”
78.       Manoel Riachão (Mergulhão).
79.       Manoel Silveira.
80.       Marcelo César.
81.       Marco di Aurélio [Marcos Aurélio Gomes de Carvalho], de Cabrobó (PE) e fixado na Paraíba; autor do primeiro cordel em Braille; é um autêntico apóstolo da Literatura de Cordel, trabalhando o dia todo em várias partes do Estado (ou da Cidade), com sua já célebre maletinha amarela cheia de folhetos e outros recursos de Literatura Oral para a divulgação da Cultura nordestina.
82.       Marcos Barros.
83.       Maria do Rosário Pinto [mais conhecida como Rosário Pinto], a única mulher repentista/cordelista que compareceu a essa reunião — mesmo residindo no Rio de Janeiro; ela é membro titular da ABLC (cadeira nº. 18, cuja patronímica é do poeta e editor José Bernardo da Silva); para a Imprensa, Rosário tem rico veia poética, “descrevendo o cotidiano através das ricas rimas da poesia popular; e é um nome que ganha destaque na plêide nordestina de mulheres cordelistas”; ela também compõe, há mais de 12 anos, a equipe da Biblioteca Amadeu Amaral do CNFCP (Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular), órgão do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), pertencente ao MinC (Ministério da Cultura, oferecendo aos visitantes rico acervo poético [www.cnfcp.gov.br]; Rosário nasceu Bacabal (MA) e frequentemente trabalha em associação com outra grande poetisa popular e agricultora, Dalinha Catunda [Maria de Lourdes Aragão Catunda], de Ipueiras (CE), especialmente na manutenção do blog Cordel de Saia [www.cordeldesaia.blogspot.com/];
84.       Milanês da Silva, repentista, poeta de bancada, autor de pelejas, nascido em Severino Vitória de Santo Antão (PE)
85.       Nelcimar de Morais
86.       Oliveira de Panelas, de Panelas (PE); fixou-se há muitos anos na Paraíba; é considerado “o Pavarotti dos Sertões”, pelo volume e melodiosidade de sua voz; também é o “rei do improviso”, sendo capaz de acompanhar — sem nada perder em termos de rima, ritmo e imaginação — tudo o que estiver ocorrendo num ambiente.
87.       Orlando Paiva [Cordelistas contemporâneos – XXIII]
88.       Orlando Tejo (como versejador e como autor de trabalhos importantes, inclusive Zé Limeira, o Poeta do Absurdo)
89.       Otacílio Batista Patriota
90.       Pádua de Queiroz [Cordelistas contemporâneos – XX]
91.       Paulinho de Cabaceiras
92.       Pedro Bandeira
93.       Pedro Mendes Ribeiro, autor de Segredos do Repente, saída em primeira edição ainda no ano de 1977 pelo MEC/DAC/Funarte.
94.       Pinto de Monteiro, um dos mais inspirados cantadores de todos os tempos;
95.       Rafael A. C. Oliveira [A lenda do Rabo de Cana]
96.       Raimundo Santa Helena [Raimundo Luiz do Nascimento], nascido em Santa Helena, fundador da Cordelbras e criador do comércio de cordel na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, onde circulam mais de 300 folhetos só de sua autoria
97.       Romano Caluete [Romano do Teixeira, Romano de Mãe d’Água], outro dos “grandes” do passado, famoso pela excelência dos adversários com que se batia à viola.
98.       Rouxinol do Rinaré [Cordelistas contemporâneos – IX]
99.       Rubênio Marcelo [Chegada de Patativa do Assaré no Paraíso].
100.  Ruth Terra, autora de Memória de lutas: literatura de folhetos do Nordeste [Editora Global, São Paulo, 1983, 190 páginas].
101.  Sebastião Nunes Batista, autor, entre outros trabalhos, de Antologia da Literatura de Cordel (Fundação Casa de Rui Barbosa, 1977) e de Francisco das Chagas Batista: Notícia bibliográfica [Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1977, 280 páginas].
102.  Severino de Andrade Silva (Zé da Luz, 1904-1965), nascido em Itabaiana (PB)
103.  Silvino Pirauá de Lima (1848-1923), cantador e poeta popular nascido em Patos (PB), discípulo e continuador de Romano do Teixeira; ao lado de Leandro Gomes de Barros, é tido como um dos principais criadores da Literatura de Cordel em folhetos; um dos primeiros a usar a sextilha e mais provável criador do martelo agalopado; a mais completa biografia de Pirauá parece-me ter sido aquela escrita por meu colega de Conselho Estadual de Cultura, na Paraíba, o estudioso José Mota Victor, sob o título de O Gênio da Literatura de Cordel, volume dois da Coleção Patoense;
104.  Sílvio Porfírio da Silva et alii [Literatura de Cordel e Ensino e A inserção dos gêneros orais na sala de aula].
105.  Sílvio Romero, notável crítico da Literatura Brasileira, com uma obra específica, Estudos sobre a Poesia Popular Brasileira (segunda edição, pela Vozes, Petrópolis, 1977).
106.  Tânia Maria de Sousa Cardoso [Origem e instituição do cangaço]
107.  Teo Azevedo
108.  Thelma Regina Siqueira Linhares [Literatura de Cordel – Reflexões e Literatura de Cordel na Feira de Gravatá, além de J. Borges: De Bezerros para o Mundo; Seca, Cordel e Folclore; Literatura de cordel, uma mídia em evolução; O Papa na Literatura de Cordel; Futebol e Literatura de Cordel etc];
109.  Ugolino Nunes da Costa: um dos grandes pioneiros, atuante na gênese mesma do cordel nordestino/brasileiro
110.  Umberto Peregrino Seabra Fagundes (1911-2003), general do Exército Brasileiro e estudioso da Poesia Popular, tem imperdível estudo, sob o título de Literatura de Cordel em discussão” [Editora Presença, 1984].
111.  Varneci Santos do Nascimento [Cordelistas contemporâneos – XV]
112.  Vicente Vitorino de Melo [Cordelistas contemporâneos – X]
113.  Vidal Santos [Cordelistas contemporâneos – XI]
114.  Walter Medeiros [Cordelistas contemporâneos – XIX]
115.  Wilson Freire
116.  Zé de Cazuza
117.  Zé Limeira, da Paraíba; levado à imortalidade graças ao livro Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, de Orlando Tejo.
118.  Zé Maria de Fortaleza (José Maria do Nascimento), nascido em Aracoiaba (CE); também constante do volume XII de Cordelistas contemporâneos]
119.  Zé Praxedes.

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